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Detalhe do Depoimento

 

02-05-2016

 

Na adolescência pensei pela primeira vez sobre ser mãe por adoção. Não sabia, nem sei explicar até hoje o porquê. Não tinha nenhum caso na minha família, não sabia se teria filhos biológicos, mas carregava comigo a certeza de que seria mãe por adoção e isso enchia meu coração de um imenso amor que sabia que um dia eu iria poder transbordar.

Quando conheci meu marido falei dessa minha convicção e ele aceitou a idéia de embarcar comigo nessa jornada, sermos pais de todas as maneiras que pudéssemos, todos teriam o DNA da nossa alma, consanguíneos ou não.

Vivi a experiência de 4 gestações biológicas , 2 não consegui gestar, luto e impotência pelas perdas, mas 2 delas trouxeram meus tesouros, meus meninos, eles me apresentaram o amor puro e incondicional da maternagem, me trouxeram a certeza que havia chegado o momento de viver a maternidade em plenitude, faltava buscar pelo caminho da adoção a princesinha que desde sempre esteve em nossos corações, sonhos e projeto de família.

Nos habilitamos em 2009 ( nosso perfil era menina, 0 a 6 anos, etnia indiferente, doenças tratáveis e HIV, podendo ter por genitores usuários de álcool, drogas e doenças psiquiátricas ) , após quase 3 anos de uma espera dolorosa, angustiante, mas ao mesmo tempo feliz pela certeza de que um dia nossa filha chegaria, encontramos nosso tesouro pelos braços de duas cegonhas da busca ativa, que jamais esqueceremos, Silvana e Rosana. Nossa filha estava no Rio de Janeiro, tinha 23 dias quando nasceu para nós e por conta de sua história biológica chegou até nós, no Rio Grande do Sul.

O momento do parto da minha filha foi uma das mais fortes emoções que vivi, inesquecível pela intensidade da explosão de sentimentos! Ao chegar aos pés do bercinho e ver minha menina pela primeira vez, as pernas amoleceram, precisei apoiar no berço para não cair, chorei, um misto de alívio, gratidão e dor por todo o tempo de espera transbordou meu coração e depois de algum tempo consegui segurar em meus braços pela primeira vez minha filha. O parto havia terminado, agarrada à minha bonequinha entendi que dar à luz em pé é para poucas, para as mães por adoção!

Nossa filhota seguiu todo o protocolo para o HIV, desde a maternidade até os 14 meses, quando negativou. Hoje está com 4 anos, é uma criança linda por dentro e por fora, espoleta, vaidosa, que adora desenhar, dançar, está sempre cantando. Assim como seus irmãos é uma filha amorosa e juntos eles dão sentido à nossa vida, realizaram nosso sonho de ser pais, pais biológicos porque todo filho precisa de uma barriga para nascer e pais adotivos pois é a única maneira de torná-los filhos de verdade.

 

 




 

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